Wednesday, February 25, 2009
Friday, January 02, 2009
Sunday, May 25, 2008
No geral, gosto muito dos domingos. Passei momentos inesquecíveis nessa minha vida pelas tardes e noites de domingo.
Domingo de beijos na discoteca do clube, domingo de clássico São Paulo e Corinthians. Muitos foram os pileques praticados antes do meio dia, ah, quanta pinga com limão e porção de amendoim japonês; muita cerveja gelada também bebi sob o mágico sol das dez da manhã.
Escuto uma música triste agora. Não quero ser piegas, até porque não combino com pieguismo. Prefiro dormir. E depois vêm mais domingo.
Thursday, April 17, 2008
Roni, o aleijado, tem três filhos, e é divorciado há 18 anos. Não se arrepende de porra nenhuma na frente dos não-íntimos, decerto, digo tudo bem, na verdade não sei, e a conversa caminha assim, no estranho happy hour dos derrotados pelo cansaço. Marasmo, rotina, tédio, traição, seu lado esquerdo inferior não fala muito. Roni acende com perspicácia o Hollywood, é o começo do novo maço.
Roni é dono da alma pessimista funcional; de pequenas lágrimas as pupilas cansadas rotineiramente trabalham, entre uma fraca memória e outra constatação de miséria - e por isso prefere esquecer o que é.
Ainda espera descrente por uma última putaria numa modesta piscina, ou por um abraço do filho mais bem dotado do que ele, palavras dele, atravessando uma calma noite de aneurisma cerebral. Assim ele promete se despedir, como na última convenção de bebedouros portáteis em Piracicaba. Dizia Roni, "eu ri tanto, meu amigo, que tive até um aneurisma cerebral".
Wednesday, February 27, 2008
Chamamos o garçom, Helena lhe pediu fogo, e nos dirigimos para outro rumo na conversa. Eu seguia pensando na letra de Juízo Final. Grande Nelson Cavaquinho. Mas Helena alcançava outras perguntas, erguida em sacadas geniais, como sempre. O garçom atravessava a mesa em pé, de sorriso antiquado, fizemos questão que ele se sentasse, engolisse um pouco de cerveja, ao que ele mostrou-se previsível, não ousaria perder seus quatrocentos merréis mensais.
Atrás do balcão, a dona nos viu. Chamou alguém, lá dentro, e outro garçom repreendeu o que estava sentado conosco. Ninguém, nem eu nem Helena nem Muquinho quis rolo. Ok, ok, volta lá fera, Muquinho aliviou.
Além do bar, a cidade se erguia pacata, parada, sentia já saudade da mesa de madeira descobrindo perguntas novas. A canção continuava, se erguia sobre o planalto. Tomamos lugar em outro bar. Pedimos cerveja cachaça, atrás de nós palmeirenses bebiam, palmeirenses falavam sobre brigas. Helena ironizava. O bar parecia bastante fértil em seu hemisfério norte, mas não se podia ver o mar; não havia sarampo, cadeias repletas de socorro – por isso passamos a fronteira, caímos pra outro mundo.
A paisagem não mudou, aliás, mudou, esse bar trazia serpentes em gaiolas de prata, perguntei para a vendedora de cachaça se ela pescava. Outros usuários cavavam buracos, pediam porções de torresmo. Muquinho erguia os olhos para Helena, tencionava tomar mais coragem e extravasar o pedido de noivado. O que se faz quando se está bêbado e feliz? Despedi-me cordial, tomei o caminho das estrelas.
Minha noite morre tranqüila aqui, em direção ao muro que dá pra represa sambarilove. Limpo o nariz, preciso varrer a inércia das próximas manhãs; ronco , no play é a hora, she likes to boogie real low, dá-lhe Johnny Winter.
Thursday, February 14, 2008
Eu tinha meus dezenove anos e uma namorada e meia, Estudos Sociais eu vendia à dez reais a hora.
- Esse cãozinho pra você é, Diadora. Agora é seu, segura.
Ainda bem que mamãe nem se dispôs a olhar o presente; pobre bacê da Norinha nossa vizinha da frente, a rainha do sobrado, quequéisso, Valtinho deu meia volta, espumou delicado, deu linha tão goleado que por descuido atropelou uma senhora garrafa vazia de Cynar. Deve ter afogado calendários pra valer na piscina inútil da frustração. Venderia pãezinhos cada vez mais pequeninos depois daquele dia de macarronada e Campeonato Mineiro, o que acabou espantando radicalmente a clientela sexagenária.
A padaria padecera de carisma agora. Não sobrava grana nem pra manter a putinha Rita do caixa. Norinha sorria e o bacêzinho tricotava tranqüilidade.
Tudo tão cinza e morno no ventre da padoca, queixos desiludidos oxigênio dizimado, faísca solta sibilava bilu-bilu causticamente pelo forno cansado, Nova Schin e Xereta na lambada fúnebre freezer simbora. E Valtinho segurava a onda do stress pagando de gandula aos finais de semana no campinho onde era sócio remido. Não havia vocação mais sagrada na face da terra.
Thursday, May 31, 2007
E tinha procedência a farofa que ele acelerava na roda. Deixou de ser o planta de fumar no balde pra usar n canudos - e com ele era de 10 grama de talco pra cima, sem miséria. Depois de uma pequena desilusão amorosa esqueceu que podia ter mulher de boa aparência, caiu no junkie way of life e vez ou outra comia fubanga rodada.
Um belo dia acordou lesado de haxixe paraguaio, (presa do Du) dispensou remelas aleatoriamente e saiu alvoroçado em busca de droguinha. Caminhou de pijama clássico até a garagem, dispensou o cigarro e caiu pro bairro da perdição. Mãe Black lá vamos nós. O pobrema é que colocou o Escort Branco numa Brazoca toda fudida, tava no maior gás e por pouco não ficou inválido. O nêgo saiu no pinote. Jaime encarou um preju de 3 mil, teve problema pra arrumar um novo pára-choque e a rapaziada do ferro velho teve que puxar um Passatão e mais um Escort azul pra compor de novo a cena.
ENQUANTO ISSO NO PLANETA MAIONESE...
Sem carro o rolê era pelo centro. Ía até o Big Bar, pedia Antarctica à rodo, virava copo americano que era uma beleza. Inclusive belos porres já arrumamos. E depois de uma garrafa de vinho Góes Jaime discutia com a estufa, azulejos e a torneira mágica do banheiro de teto mijado.
Show do Titãs no Grêmio. O sábado riscava o outono de sacanagem. Apreciou mescradinho toda tarde, pisou com o 42 sem querer no coração do Play 2, ficou desprovido de diversão.
Tinha quinze merréu em haver no Big Bar, fumou mais uma vela na pure hemp, o relógio esquisito suado na parede dando pala que era sete e meia da náite.
Sozinho vendo senhoras buchudas bolinarem sapatonas cansadas, típico quadro do Big Bar. É Jaime, você fazia fitinha de amor por email, lembra? Chorava copioso aos cantos quando sua ex-namoradinha chutava o seu cabelo, mas esqueça. Você sempre foi caboclo sociável da internet, de mIRc a msn, o mesmo cara de pau com papinho mole de pagodeiro - por isso conseguiu uma carona esperta com aquela mulecada que chegou meio noiada no balcão.
Você subiu no banco de trás, fez o corre pros emos, bicuda federal - depois eles te largaram na frente do Grêmio. Desamparado e torto, você sucumbiu ao seu destino irremediável, campeão na categoria desagradável. Tá certo, bebeste fanfarrão ainda Paisano no copo plástico ao vivo na praça - não lembra como voltou até o escritório do seu coroa. Já coalhado pegou sua magrela pra ir roncar e caiu 18 vezes. Ralou o cérebro e trincou um dente já cariado.
Ontem bati à porta. Você não veio, a terça-feira desacreditada. O vento respondeu. Fiquei com a impressão de que a vida não é feita pra pessoas idiotas como você, que de mãe pipoqueira e advogada do trabalho e pai gay empacotador tornou-se um marmanjo quase robusto. Tudo bem, comprou um Escort de dívida de atirador, de cheirador & comerciante de loló você passou pro pó. Se a vida é um fliperama que come ficha? Ô Jaimão, sou seu camarada, cê tá ligado.