Wednesday, February 25, 2009

Friday, January 02, 2009

Esse blog tá paradão faz uma cara. Tá ainda vivo, mas ninguém o visita. Nada de vaginas, nem de Capitão Taturana- que, por sinal, é uma grande aposta literária para o ano que começou ontem. 2009 é o ano da lorota kamikaze? ou é mais um ano tolo para os caveiras grisalhas e tolo para os bebês de ...bem, vamos blogar, rapaziada. que bom mocismo mais jay é esse? Sem essa, cuzão. Aqui nóis escreve uns bagulho bem loco, até parece que nóis aprecia o esquema do - como que chama mesmo aquele gordinho de óculos clubber amigo d o Supla, que escreve na Caros Amigos e bronqueou um livro bem aceito pela mídia, aquele tratado dostoievskiano sobre um bairro, como é nome dele, mano? É Ferréz. FerréZ?Arnaldo Antunes. Carlinhos Brown e Ferréz. Esse post aqui é pra vocês, feliz ano novo.

Sunday, May 25, 2008

São quase cinco horas da manhã. É domingo.

No geral, gosto muito dos domingos. Passei momentos inesquecíveis nessa minha vida pelas tardes e noites de domingo.

Domingo de beijos na discoteca do clube, domingo de clássico São Paulo e Corinthians. Muitos foram os pileques praticados antes do meio dia, ah, quanta pinga com limão e porção de amendoim japonês; muita cerveja gelada também bebi sob o mágico sol das dez da manhã.

Escuto uma música triste agora. Não quero ser piegas, até porque não combino com pieguismo. Prefiro dormir. E depois vêm mais domingo.

Thursday, April 17, 2008

Ele é engenheiro elétrico aposentado, Roni para os chegados, o gordo. O semblante cansado, a testa começando a enrugar ferozmente. Fatores que propiciam a leitura de seus 50, 56 anos, por alguns santos e entidades marítimas. Roni é simples e real, não posiciona seu controle remoto afastando a cheirosa almofada, encimada pela perna esquerda, para sintonizar o Tele Cine Light. Mas gosta duma putaria numa piscina de milhares de litros.


Roni, o aleijado, tem três filhos, e é divorciado há 18 anos. Não se arrepende de porra nenhuma na frente dos não-íntimos, decerto, digo tudo bem, na verdade não sei, e a conversa caminha assim, no estranho happy hour dos derrotados pelo cansaço. Marasmo, rotina, tédio, traição, seu lado esquerdo inferior não fala muito. Roni acende com perspicácia o Hollywood, é o começo do novo maço.

Roni é dono da alma pessimista funcional; de pequenas lágrimas as pupilas cansadas rotineiramente trabalham, entre uma fraca memória e outra constatação de miséria - e por isso prefere esquecer o que é.

Ainda espera descrente por uma última putaria numa modesta piscina, ou por um abraço do filho mais bem dotado do que ele, palavras dele, atravessando uma calma noite de aneurisma cerebral. Assim ele promete se despedir, como na última convenção de bebedouros portáteis em Piracicaba. Dizia Roni, "eu ri tanto, meu amigo, que tive até um aneurisma cerebral".

Wednesday, February 27, 2008

Chamamos o garçom, Helena lhe pediu fogo, e nos dirigimos para outro rumo na conversa. Eu seguia pensando na letra de Juízo Final. Grande Nelson Cavaquinho. Mas Helena alcançava outras perguntas, erguida em sacadas geniais, como sempre. O garçom atravessava a mesa em pé, de sorriso antiquado, fizemos questão que ele se sentasse, engolisse um pouco de cerveja, ao que ele mostrou-se previsível, não ousaria perder seus quatrocentos merréis mensais.

Atrás do balcão, a dona nos viu. Chamou alguém, lá dentro, e outro garçom repreendeu o que estava sentado conosco. Ninguém, nem eu nem Helena nem Muquinho quis rolo. Ok, ok, volta lá fera, Muquinho aliviou.

Além do bar, a cidade se erguia pacata, parada, sentia já saudade da mesa de madeira descobrindo perguntas novas. A canção continuava, se erguia sobre o planalto. Tomamos lugar em outro bar. Pedimos cerveja cachaça, atrás de nós palmeirenses bebiam, palmeirenses falavam sobre brigas. Helena ironizava. O bar parecia bastante fértil em seu hemisfério norte, mas não se podia ver o mar; não havia sarampo, cadeias repletas de socorro – por isso passamos a fronteira, caímos pra outro mundo.

A paisagem não mudou, aliás, mudou, esse bar trazia serpentes em gaiolas de prata, perguntei para a vendedora de cachaça se ela pescava. Outros usuários cavavam buracos, pediam porções de torresmo. Muquinho erguia os olhos para Helena, tencionava tomar mais coragem e extravasar o pedido de noivado. O que se faz quando se está bêbado e feliz? Despedi-me cordial, tomei o caminho das estrelas.

Minha noite morre tranqüila aqui, em direção ao muro que dá pra represa sambarilove. Limpo o nariz, preciso varrer a inércia das próximas manhãs; ronco , no play é a hora, she likes to boogie real low, dá-lhe Johnny Winter.

Thursday, February 14, 2008

Valtinho era presidente de uma padaria. Editor da rosca. Ganhava um bocado de dinheiro vendendo pães eufóricos em porte físico. Além de exibir uma porção de pontes de safena, colocava na praça trejeitos divertidos e era louco pela minha mãe. Um belo dia de Campeonato Mineiro apareceu em casa conduzindo leve seu fusquinha, era dia de macarronada, mamãe e eu estávamos felizes e roqueiros na época. Esse tal de Valtinho tinha bastante dinheiro depositado no BANCO REAL e resolveu dar de presente para minha mãe um pequeno cãozinho bacê, roubado.

Eu tinha meus dezenove anos e uma namorada e meia, Estudos Sociais eu vendia à dez reais a hora.

- Esse cãozinho pra você é, Diadora. Agora é seu, segura.

Ainda bem que mamãe nem se dispôs a olhar o presente; pobre bacê da Norinha nossa vizinha da frente, a rainha do sobrado, quequéisso, Valtinho deu meia volta, espumou delicado, deu linha tão goleado que por descuido atropelou uma senhora garrafa vazia de Cynar. Deve ter afogado calendários pra valer na piscina inútil da frustração. Venderia pãezinhos cada vez mais pequeninos depois daquele dia de macarronada e Campeonato Mineiro, o que acabou espantando radicalmente a clientela sexagenária.

A padaria padecera de carisma agora. Não sobrava grana nem pra manter a putinha Rita do caixa. Norinha sorria e o bacêzinho tricotava tranqüilidade.

Tudo tão cinza e morno no ventre da padoca, queixos desiludidos oxigênio dizimado, faísca solta sibilava bilu-bilu causticamente pelo forno cansado, Nova Schin e Xereta na lambada fúnebre freezer simbora. E Valtinho segurava a onda do stress pagando de gandula aos finais de semana no campinho onde era sócio remido. Não havia vocação mais sagrada na face da terra.

Thursday, May 31, 2007

Porra, eu era amigão dele. Sóbrio era o cara "bonzinho": não arrumava treta com ninguém, ficava de óculos à paisana, queimava unzinho no quintal da vó de 82 anos e trocava idéia na moral, plantando seu pézinho e quebrando recordes no Playstation 2. Quando dava uns tecos o negócio virava do avesso. Frequentava pegão todas as quebradas invisíveis de Rivers, jogava aquele jagoné na oreia dos mano pra filar uma boa cota de farinha no F, colocava patrão no seu Escort branco e experimentava em primeira mão produtera sem batismo, fumava mescrado como se fosse marlboro láite.

E tinha procedência a farofa que ele acelerava na roda. Deixou de ser o planta de fumar no balde pra usar n canudos - e com ele era de 10 grama de talco pra cima, sem miséria. Depois de uma pequena desilusão amorosa esqueceu que podia ter mulher de boa aparência, caiu no junkie way of life e vez ou outra comia fubanga rodada.

Um belo dia acordou lesado de haxixe paraguaio, (presa do Du) dispensou remelas aleatoriamente e saiu alvoroçado em busca de droguinha. Caminhou de pijama clássico até a garagem, dispensou o cigarro e caiu pro bairro da perdição. Mãe Black lá vamos nós. O pobrema é que colocou o Escort Branco numa Brazoca toda fudida, tava no maior gás e por pouco não ficou inválido. O nêgo saiu no pinote. Jaime encarou um preju de 3 mil, teve problema pra arrumar um novo pára-choque e a rapaziada do ferro velho teve que puxar um Passatão e mais um Escort azul pra compor de novo a cena.




ENQUANTO ISSO NO PLANETA MAIONESE...


Sem carro o rolê era pelo centro. Ía até o Big Bar, pedia Antarctica à rodo, virava copo americano que era uma beleza. Inclusive belos porres já arrumamos. E depois de uma garrafa de vinho Góes Jaime discutia com a estufa, azulejos e a torneira mágica do banheiro de teto mijado.

Show do Titãs no Grêmio. O sábado riscava o outono de sacanagem. Apreciou mescradinho toda tarde, pisou com o 42 sem querer no coração do Play 2, ficou desprovido de diversão.

Tinha quinze merréu em haver no Big Bar, fumou mais uma vela na pure hemp, o relógio esquisito suado na parede dando pala que era sete e meia da náite.

Sozinho vendo senhoras buchudas bolinarem sapatonas cansadas, típico quadro do Big Bar. É Jaime, você fazia fitinha de amor por email, lembra? Chorava copioso aos cantos quando sua ex-namoradinha chutava o seu cabelo, mas esqueça. Você sempre foi caboclo sociável da internet, de mIRc a msn, o mesmo cara de pau com papinho mole de pagodeiro - por isso conseguiu uma carona esperta com aquela mulecada que chegou meio noiada no balcão.

Você subiu no banco de trás, fez o corre pros emos, bicuda federal - depois eles te largaram na frente do Grêmio. Desamparado e torto, você sucumbiu ao seu destino irremediável, campeão na categoria desagradável. Tá certo, bebeste fanfarrão ainda Paisano no copo plástico ao vivo na praça - não lembra como voltou até o escritório do seu coroa. Já coalhado pegou sua magrela pra ir roncar e caiu 18 vezes. Ralou o cérebro e trincou um dente já cariado.


Ontem bati à porta. Você não veio, a terça-feira desacreditada. O vento respondeu. Fiquei com a impressão de que a vida não é feita pra pessoas idiotas como você, que de mãe pipoqueira e advogada do trabalho e pai gay empacotador tornou-se um marmanjo quase robusto. Tudo bem, comprou um Escort de dívida de atirador, de cheirador & comerciante de loló você passou pro pó. Se a vida é um fliperama que come ficha? Ô Jaimão, sou seu camarada, cê tá ligado.